Seguidores

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Malandras e Malandrinhas da Umbanda:

Chefe da Linha das Malandras e Malandrinhas – Maria Navalha


Falanges de Malandras e Malandrinhas da Umbanda:

* Morro
* Estrada
* Cais/Beira do Cais
* Lapa/Arcos da Lapa
* Cruzeiro das Almas
* Cabaré
* Calunga
* Encruzilhada/Sete Encruzilhadas
* Almas



Falanges de atuação de Maria Navalha (Ou subdivisões):



¨ Maria Navalha do Morro
¨ Maria Navalha do Cais
¨ Maria Navalha da Beira do Cais
¨ Maria Navalha da Estrada
¨ Maria Navalha da Lapa
¨ Maria Navalha dos Arcos da Lapa
¨ Maria Navalha do Cruzeiro das Almas
¨ Maria Navalha das Almas
¨ Maria Navalha da Calunga
¨ Maria Navalha da Encruzilhada
¨ Maria Navalha das Sete Encruzilhadas
¨ Maria Navalha do Cabaré


Sub - Falanges das Malandras e Malandrinhas da Umbanda e suas ligações:

- Maria Pimenta (Linha dos Baianos/Catimbó/Malandragem/Pombagiras)
- Maria Pelintra/Rosa Pelintra/Joana Pelintra (Linha dos Baianos/Malandragem)
- Maria Rosa (Catimbó/Malandragem/Linha dos Baianos) 
- Maria Preta/Maria Branca (Catimbó/Malandragem)
- Maria do Baralho/Maria Baralho (Linha da Malandragem)
- Rosinha/Ritinha (Catimbó/Malandras jovens/Pombagiras Mirins)

Exemplos: Malandra Rosinha do Cabaré, Maria Pelintra da Estrada, Maria Preta das Almas.


Podem atuar tanto como Pombagiras ou como Malandras:

- Maria Navalhada 

- Sete Navalhadas 

- Maria das Sete Navalhas

- Sete Navalhas 

- Malandra das Rosas Vermelhas

- Malandrinha da Rosa Vermelha

- Malandra Rosa Vermelha 

- Sete Saias

- Maria Sete Punhais

- Sete Facadas

Exemplos: Maria Navalhada do Cabaré, Sete Navalhadas da Calunga, Malandrinha das Rosas Vermelhas dos Arcos da Lapa.


Nomes usuais dentro da linha (mas que não configuram sub – falanges):

- Maria Helena 
- Maria Alzira 
- Odete 
- Dolores 
- Terezinha 
- Sussu 
- Maria do Rosário 
- Catarina
- Maria Izabel
- Gilda
- Maria Amália

(Aqui não está identificado nem falange, sub – falange, nem atuação, isso pode ser temporário, mudar após o desenvolvimento ou não. A entidade permanece com esse nome e acrescenta sua atuação).

Exemplo 1: Maria Helena, após o desenvolvimento se identifica como Maria do Cais.
Exemplo 2: Maria Alzira, após o desenvolvimento se identifica como Maria Alzira da Estrada.


Nomes que geram confusões:

Malandra da Praça (Praça não é falange. É um local de encontros de Malandros. Exemplo: Praça Mauá).

Malandra Cigana (Malandros tem pouquíssimas coisas em comum com Ciganos, algumas que podemos citar: bebidas, alegria, galanteio, oráculos, gosto por danças, músicas, noite. Porém, não podemos cruzar essas duas linhas, ou é Malandra, ou é Cigana).

Maria Navalha das Sete Navalhadas (Não tem como ter Navalha, Navalhada,  Sete Facadas, Sete Punhais, Sete Navalhas e Sete Navalhadas no mesmo nome da entidade, ela recebe apenas um desses grupamentos espirituais). Exemplos que existem: Maria Navalha do Cais/Sete Navalhadas do Cais.

Malandra da Ladeira (É a mesma coisa que Malandra do Morro)

Malandra do Forró (Forró não é falange, é manifestação cultural e popular).

Malandra do Samba (Samba não é falange, é manifestação cultural e popular).

Malandra da Esquina (Esquina não é falange, provavelmente Malandra da Encruzilhada, das sete encruzilhadas ou Estrada)

Malandra do Asfalto (Nome errôneo, provável Malandra da Estrada).

Malandra da Boêmia (Boêmia não é falange, é nome usual, provavelmente não quer contar o verdadeiro nome, que pode ser qualquer um).

Malandra da Madrugada/Neguinha da Madrugada (Madrugada não é falange, é nome usual, provavelmente não quer contar o verdadeiro nome, que pode ser qualquer um).

Malandra da Noite (Noite não é falange, é nome usual, provavelmente não quer contar o verdadeiro nome, que pode ser qualquer um).

Malandra Pé de Valsa (não é falange e é apenas uma referência que gosta de dança)

Malandra Celina da Praia (Celina é um nome da Linha de Ciganos, e Praia não é falange de Malandros)

Malandrinha do Morro Alto (É a mesma coisa que Malandrinha do Morro, ter vivido na parte baixa, ou na parte alta, não interfere no trabalho espiritual, assim como falar o Morro em que viveu na última encarnação)

Maria do Balaio ( Ela é Baiana, pode ter dado esse nome numa Gira de Baianos, mas configura como Baiana não Malandra, já que existe o fundamento dessa Baiana na Linha dos Nordestinos).

Maria do Pente Fino (Não Existe esse nome, e acho muito desrespeito com uma entidade, imagine chamar uma entidade de Malandra da Escova)

Maria Seresteira (Seresteira não é falange, pode ter falado o nome errado mesmo, ou para mostrar que gostava de músicas, serestas e dar o nome certo depois)

Miquilina da Lapa (Miquilina é um jogo de copas, para mim a Malandra gosta de cartas, jogava baralho e ganhou o apelido na vida encarnada, mas não configura como nome espiritual, para mim é Malandra da Lapa, Malandrinha da Lapa, Maria da Lapa, etc).

Viriata da Esquina (Viriata não é nome espiritual, não é falange, sub falange, configura nome errôneo).

Maria Rosa Navalha (Aqui temos duas falanges, ou seja, o nome por si só já está errado, ou a Malandra é Maria Rosa, ou é Maria Navalha).

Sete Saias, Maria Mulher (É apenas forma de falar, a entidade se chama Sete Saias, mas o Maria Mulher não faz parte do nome espiritual).

Malandra Merçalina (A palavra em si não existe, nas pesquisas só encontrei Messalina, que foi imperatriz romana, chamada de adúltera e prostituta, portanto o nome é errôneo).

Maria Padilha Malandra/Maria Mulambo Malandra (Ambas atuam apenas como Pombagiras, inclusive tem histórias, livros, falanges, firmezas, fundamentos, completamente diferentes de Malandras).


Quando Malandras falam estados de identificação, complementações regionais, lugares tem algumas possibilidades:

Primeira: O médium não pode saber sua falange e atuação ainda. Exemplo: Sou Malandra de Alagoas. Após o desenvolvimento, se identifica como Malandra das Almas.

Segunda: Ela quer apontar que trabalha junto com a linha de baianos. Exemplo: Sou Malandra de Pernambuco. Ela atua com o Baiano Zé do Coco do Sertão de Pernambuco, da mesma médium.

Terceira: Ela está apontando para o estado de sua última encarnação. Exemplo: Sou Malandra da Bahia. Ela viveu na Bahia no ano de 1894.

Todos esses estados, lugares, mudam se a entidade for trabalhar com a linha da Malandragem mesmo, ou seja, após um período maior de desenvolvimento. Existem raros casos de Malandras que permanecem com o nome do estado, mas isso é em alguns terreiros de São Paulo, aonde Malandros e Malandras vem muitas vezes na Linha de Baianos (Nordestinos).


Malandra do Catimbó/ Malandra da Figueira – São locais de feitiçaria, normalmente são entidades fechadas, que falam esses nomes para esconder suas verdadeiras falanges, seus mistérios e fundamentos. As entidades existem, mas não constituem falanges, sub falanges ou campos de atuação. Constituem ligações, fundamentos e magias. Catimbó (Culto da Jurema), Figueira (Linhas de Exus/Pombagiras). São os mais difíceis de revelarem nomes espirituais, falanges, origens, campo de atuação.


Obs: A postagem não é para denegrir ninguém, não é para ofender as pessoas, cada um tem uma casa, um fundamento, uma entidade, uma explicação. Eu apenas quero desmistificar algumas coisas, de acordo com o que aprendo no meu terreiro, com o que aprendo com minha mentora Maria Navalha da Lapa, com o que estudo há 7 anos, inclusive toda a pesquisa para esse Blog, com o que as entidades me passam, com os amigos, os terreiros de amigos, espero que ajude algumas pessoas, pois este é o objetivo.

Muito Axé a todos e Salve a Malandragem.

Edição - Falanges de Malandras - Malandras e Malandrinhas da Lapa.


(Pintura da Artista Maria do Carmo da Hora)

Olá meus queridos seguidores, amigos, irmãos de axé, hoje vou finalizar a Edição de Falanges sobre as Malandras, as grandes falangeiras de Maria Navalha na Linha da Malandragem da Umbanda. Por incrível que pareça, a minha Malandra, Dona Maria Navalha, é da falange da Lapa, e conforme vieram as intuições, percebi que sua falange ficou para o último texto. Não que isso seja ruim, mas por questão de aprendizagem, humildade e para todos sempre aprendermos, nenhuma falange é melhor que a outra, como nenhuma linha da umbanda também, todas tem seu valor, trabalho e imensa luz. Agora vamos ao texto.

As Malandras e Malandrinhas da Lapa são espíritos que se afinizaram com o bairro boêmio, o seu entorno e tudo o que existe lá, mesmo aquelas que não viveram as suas vidas propriamente na Lapa, viveram nos Morros próximos, no Centro do RJ, nos bairros adjacentes, enfim, sempre estiveram envolvidas de alguma forma com a boêmia carioca. Aquelas raras entidades que não tiveram vivência histórica na Lapa, são entidades que viveram coisas semelhantes em outros lugares, e isso traz um vasto grupo de espíritos com coisas em comum. As Malandras que vem de lá, viveram em diferentes em épocas no entorno, mas a maioria teve suas últimas encarnações, bem depois dos Arcos serem construídos. Eu já postei na página, a história dos Arcos é muito antiga, para os que apreciam história, vale a pena dar uma lida.
As Malandras da Lapa tem humor a meio termo, mas em geral são muito alegres, humildes, festivas e sempre transmitem mensagens para que as pessoas batalhem pelo que querem, passam uma energia de felicidade, de sorte, de êxito, adoram manifestações populares e jogos, cada uma tem suas particularidades, algumas gostam de baralho, outras gostam de dados, mas tem infinitas formas de oracular e ajudar seus consulentes.
Das Manifestações populares e culturais, apreciam o samba de raiz, samba de roda, o samba de gafieira e até o Partido Alto, são muito amantes de músicas, reuniões, comemorações do povo, gostam também da capoeira de angola, o jongo e muitas outros. Sempre foram boas de briga, defendiam prostitutas, a si mesmas, tendo o gênio forte, arrumavam confusões com a policia, com os cafetões, com os donos de bar, com homens desrespeitosos na rua, com marido que batia na esposa, enfim, paciência não é o forte delas. Sempre frequentavam bares, botecos, pé sujos, prostíbulos e afins nas noites a fora, entretanto, conheci algumas que não se orgulham de terem sido "prostitutas" ou "cafetinas". Dentre outras, tem as lavadeiras, domésticas, escravas, donas de bar, cantoras da noite, etc. Muitas passaram fome, foram diminuídas, oprimidas, mas nunca perderam sua dignidade, apesar das humilhações. sofridas, nunca desistiram de seus sonhos ou de lutar por seus objetivos. Sempre lutaram por sua honra, pela honra das mulheres, crianças e as comunidades marginalizadas, tem muita firmeza de palavra e caráter, ou é ou não é. (Experiência própria).



Das gatunas da noite, temos as que realizavam pequenos golpes, batiam carteiras, se misturavam aos meninos de rua, corriam pelas vielas, becos, ruas da Lapa e lugares próximos, algumas foram grandes apostadoras, roubavam nos dados, nas rodas de Baralho, enganaram homens, usaram drogas, aprontaram com policiais e enganaram as pessoas da alta sociedade. Uma das primeiras falanges a juntar - se as falangeiras de Maria Navalha, pelo propósito do trabalho, pelo enredo de suas vidas, pela caridade a ser feita, pela pureza da umbanda, por ajudar os mais humildes, por orientar o povo do terreiro de chão batido, por sua fé, devoção, carinho e respeito aos cultos. As conselheiras de Maria, as senhoras da Lapa são o que são, muito fortes, amigas, porém muito exigentes, rígidas e ponderadas no caminho correto, que é o caminho da luz, benevolência e caridade. 


Características:
Cores: Podem usar branco e vermelho, ou vermelho e branco, vamos nos ater a esse fundamento, umas usam mais vermelho, outras mais a cor branca. Isso também é um fundamento e tem diferença.

Indumentária: Branco, vermelho e raramente preto. Saias com babados, saias sem babados, varia ter muita ou pouca roda nas saias, apreciam as blusas listradas (característica comum na linha), mesmo quando são Navalhas, costumam ser vaidosas em alguns aspectos, batom vermelho, argolas (dourada, prata ou aço), cordões (normalmente religiosos, exemplo: São Jorge), calça branca, camisa vermelha, calça vermelha, camisa branca, ou o mais raro, calça preta e camisa branca. Também tem um grande amor, força, mistério e honra por seus chapéus, costumam imantar eles antes de colocar na cabeça  e atender os consulentes, assistidos, etc. Podem ser vermelhos com fita branca, brancos com fita vermelha, vermelhos com fita preta, totalmente brancos, totalmente vermelhos e raramente pretos. Podem ou não usar lenços, por baixo dos chapéus. Não exigem flores, ornamentações nos chapéis, copos ou afins, mas aceitam, caso médiuns assim o façam. 

Bebidas: Cerveja branca, cerveja preta, Whisky, conhaque, rabo de galo, vinho, cachaça, cachaça com mel (meladinha/melado) e o coquinho. Normalmente preferem copos lisos, de bar, simples, também gostam de tulipas transparentes, raramente bebem em taças, mas aceitam as tulipas, taças e copos decorados, por carinho aos seus médiuns.

Comidas: Apreciam muito a linguiça frita com cebola, batata calabresa, ovo de codorna e o salame, porém, aceitam qualquer oferenda dos devotos, se for dada com fé, amor e dedicação.

Fumo: cigarro de filtro vermelho, cigarro de filtro branco, cigarro de palha e algumas raras fumam cigarro doce.

Religiosidade: Variam bastante na questão fé de suas vidas encarnadas, algumas foram "macumbeiras", outras catimbozeiras, outras feiticeiras, muitas tem conhecimento dos povos negro (principalmente bantu), o catolicismo branco e a pajelança indígena. Mas em sua raiz ancestral, tem maior ligação com as magias africanas, macumbas dos Morros cariocas e da "Pequena África". Algumas foram benzedeiras em suas comunidades, curandeiras e adeptas dos cultos antigos.

Fundamentos: Baralhos, Naipe de Copas, Naipe de Ouros, dados vermelhos, dados brancos, dados coloridos, chapéus, lenços, sinuca, pimentas, bengalas, fitas, diversos tipos de samba, jongo, capoeira (Angola), navalhas, punhais, canivetes, moedas (atuais e antigas), dendê, flores e muitas outras coisas.

Eu espero que vocês tenham gostado,
Muito Axé das Malandras e Malandrinhas da Lapa a nos abençoar.
Minha eterna gratidão a minha senhora da boêmia,
Salve a fina flor da Malandragem.
Salve a Malandra Maria Navalha da Lapa !

terça-feira, 13 de junho de 2017

Delegado Chico Palha

"Delegado Chico Palha,
Sem alma, sem coração,
Não quer samba nem curimba,
Na sua jurisdição.

Ele não prendia,
Só batia.

Era um homem muito forte,
Com um gênio violento,
Acabava a festa a pau,
Ainda quebrava os instrumentos.

Ele não prendia,
Só batia.

Os Malandros da Portela,
Da Serrinha e da Congonha,
Pra ele eram vagabundos,
E as mulheres sem-vergonhas.

Ele não prendia,
Só batia.

A curimba ganhou terreiro,
O samba ganhou escola,
Ele expulso da polícia,
Vivia pedindo esmola."

(Zeca Pagodinho)


(Bezerra da Silva)

Curiosidades :

Portela é uma escola de Samba muito conhecida no Rj, a escola do coração do Zeca.
Serrinha e Congonha são comunidades próximas a Madureira (RJ).
Historicamente, o samba, os cultos aos Orixás (Umbanda e Candomblé), o Caxambu, a Capoeira, aconteciam principalmente em Morros, tanto no Morro com no "asfalto" foram muito julgadas, sofreram grande preconceito, como praticamente tudo da cultura negra. A policia e outros órgãos realmente prendiam pessoas, humilhavam, reclamavam, faziam um pandemônio, demorou muito para os direitos das pessoas serem respeitados.

A música é atual e apesar de não fazer parte do repertório umbandista, quis cita - la, para mostrar como algumas de nossas entidades sofreram preconceito, tal qual sofremos ainda hoje.


Roda de samba num morro do Rio de Janeiro, no ano de 1936.
Datado em 14 de maio de 1936, autoria desconhecida,
Fonte: O Malho, ed. 154, ano 35, p. 31 de 14/5/1936

Malandra Maria do Morro da Mangueira ♣


"Delegado Chico Palha, sem alma, sem coração,
Não quer samba, nem curimba, na sua jurisdição." (Zeca Pagodinho)

Hoje venho falar de outra Maria, mais uma senhora do Morro, que por intuição e ordens de Navalha, quis me passar um pouco mais de axé, fundamento e aprendizagem,
A Maria de hoje é uma belíssima negra, antiga moradora do Morro da Mangueira, seu passado se funde com a história do Morro, com a história do samba, da cultura popular, das rodas de "macumba" antigas. Conhecedora de magias, aquela que conquistava a todos com ginga, requebrado e sobretudo inteligência. Muitos lhe subestimaram, foi ofendida e humilhada por tudo, pela cor de sua pele (racismo), pelo seu lindo cabelo afro (crespo), por sua devoção (Culto aos ancestrais), por seu amor pelo samba (proibido por muito tempo), enfim, são tantas dores dessa Maria, que um texto seria pouco. Gostava de disputas, Maria não era Maria vai com as outras, mulher de muita fibra e opinião, filha de Iansã, sempre benzida das roças e completamente bem vinda nas rodas, era a bamba das favelas, mas sempre teve humildade, o ego não lhe foi companheiro, mas não abaixava a cabeça para ninguém, todos lhe conheciam, lá vem a Menina de Oyá, Ventania na palhoça.

Sempre vestida com tons claros, principalmente a saia branca, uma hora era saia longa, impecavelmente engomada, rodada que só ela, falava e ria muito alto, quando seu orisá chegava, todos reverenciavam, a mãe dos ventos está ali, como é bela, essa bela Oyá.

No samba já usava uma saia um pouco mais curta, o que na época era um "ultraje social", lhe chamaram prostituta, rampeira, mau amada inúmeras vezes, apenas por ser independente, por não se dobrar aos homens ou por não obedecer as regras impostas as Mulheres. Maria nunca ligou, nunca mesmo, era tão senhora de si, que um bando de invejosas ou uns homens sem personalidade, nunca iriam lhe atingir. Continuava sua trajetória, bebida boa, batucada, samba bom, engoma saia da "santa", passa a roupa da patroa. Maria foi uma empregada doméstica, dessas que a gente pensa, como pode, mulher inteligente, forte, que argumenta bem, porque não tem cargo mais alto, não ganha mais. Como faltou oportunidade para Maria, mesmo com tantas dificuldades, ela é como nós, o povo do santo que sempre está feliz, louvando com fé as forças da natureza, acordando cedo todo dia, pegando o trem lotado para ir até a Central, de noite cai no samba, lá pelas tantas, já é carnaval.

Maria da Mangueira, não é Malandra qualquer, gosta que lhe chamem Malandra, não que mude chamar Malandrinha, mas o Malandra combina mais com sua idade, suas feições, sua roupagem fluídica. É Malandra jovem, não tão jovem assim, já não é menina, é mulher, é adulta, mais ainda soberana em suas escolhas, até depois da morte, ou "quase" morte, sabia como a vida seria do outro lado, só não sabia que ia receber essa linda benção de Deus, ajudar o próximo, fazer caridade, em honra aos seus (Orisás). Foi recebida com Maria Navalha com imensa alegria, festa e muito canjerê, reencontrou velhos amigos, soube das antigas rivais, a umbanda estava ali, oferecendo oportunidade e muita energia positiva.

Maria é velha conhecida do Zé Pelintra do Morro, uns dizem que foi amante, outros que foram amigos, tem gente que conta que foram comparsas, até parceiros no bailado eu ouvi falar, mas ele não se cansa de me dizer ...

"Que prenda bonita trouxe aqui pra você .."

"Pense numa Preta bonita .."

Muito requisitada quando o assunto é para ser resolvido para ontem, é boa de briga e perigosa, não utilizava muitas armas, então sempre foi mais de punho firme e direcionamento, é aquela que com um só golpe já derrubava quem lhe desafiava, e o mistério dessa moça está no samba, está na ginga, samba pra lá, samba pra cá, cuidado com o feitiço dessa nêga, foi assim que ela encantou toda a Mangueira. Era adepta de práticas ocultas, era assim que cuidava de seus inimigos, seus débitos vem disso, mas isso é assunto para outro texto, rs.

Mirongueira como ninguém, quem tem essa Malandra guarda muito axé, guarda mistérios, fundamentos, uma força que vem de lá, ela é dendê puro, cuidado, muito cuidado rs.

*Curiosidade 1 - Morro da Mangueira, foi apenas o lugar de encarnada, sua falange dentro da Linha da Malandragem é o Morro, entidades quando determinam o nome do Morro é para apontarem onde findaram sua existência, sua trajetória de encarnado (muito provável na última encarnação). Ela pode se apresentar como Malandra do Morro ou Malandra Maria do Morro (apenas). Varia conforme as regras do terreiro, a entidade querer, permissão da espiritualidade, uma série de fatores.

*Curiosidade 2 - Eu coloquei um trecho da música do Zeca Pagodinho, apesar de ser uma música muito atual, fala da época que o samba era reprimido socialmente, muito rechaçado. Divulgarei a música na próxima postagem.

Espero que tenham gostado,
Salve a Malandra Maria do Morro da Mangueira,
Salve a Malandragem. ♣ 




segunda-feira, 12 de junho de 2017

Malandro Zé Pretinho das Almas



"Sombras"

"Os Homens de Preto e os Homens de Cinza"

Somos a poeira da estrada, quase ninguém nos vê, quase ninguém nos enxerga na escuridão das noites, os filhos de fé rogam nossa proteção, somos a guarda baixa, homens da velha guarda, com o costume e as riquezas de nossas tradições.
Nossa Marca é a elegância, nossa força é a divina luz.
Caminhos cruzados com a noite, temos sim nosso jeito de resolver as coisas, somos rápidos e limpos, ágeis e sinceros, afiados como nossas lâminas.
Guaridas, guardas, menestréis, a navalha não corta a seda mesmo, capoeiras de outrora, mestres da cultura popular, respeite (mesmo) quem pode chegar, aonde a gente chegou.

Mensagem de Zé Pretinho das Almas.


onselectstart='return false'